Do ‘Come-Come’ à Inteligência Artificial, Pac-Man comemora 40 anos

No último dia 22 de maio, o icônico game Pac-Man fez 40 anos existência.

Pac-Man foi sucesso desde sua chegada aos fliperamas, com uma fórmula incomum que apelava para a diversão e não para os tiros, como os games de ‘navinha’ da época.

“Todos os jogos de computador disponíveis naquela época eram do tipo violento – wargames e do tipo Space Invaders… Eu queria um jogo engraçado…”, declarou Toru Iwatani, seu criador, em entrevista realizada ao site Mameworld, hoje já indisponível na rede.

Antes de chegar à sua obra prima, Iwatani era funcionário da desenvolvedora Namco, e tinha a intenção de trabalhar na produção de máquinas de pinball, a grande febre pré-videogames. Á época, o VCS 2600 da Atari reinava soberano como único console de games do período, assistindo a chegada, naquele ano, do Intellivisio, da Mattel, e o grande público juvenil encontrava diversão eletrônica fora de casa, com os arcades.

A especialidade da empresa eram os jogos para arcade, cujo público crescente e expressivo curtia games badalados como Asteroids, Space Invader, Galaxian e Berzerk. Trabalhando nessa linha, Iwatani desenvolveu os vídeo pinballs Gee Bee, Bomb Bee e Cutie Q até encontrar a oportunidade de fazer algo diferente, que chamasse a atenção de um outro público, incluindo as mulheres, quando ocorreu ao designer o conceito de Pac-Man.

“A história que gosto de contar sobre a origem de Pac-Man é quando, em um horário de almoço, eu estava faminto e pedi uma pizza inteira. Peguei um pedaço e o que sobrou era a forma de Pac-Man.”, explicou, em entrevista para o livro Programmers At Work, de Susan Lammers, de 1986 (a entrevista pode ser conferida aqui).

Interessante também, do ponto de vista cultural, é observar como Pac-Man vai além da ideia inicial da pizza como design de personagem, mostrando um apelo social menos visual e mais psicológico, envolvendo a comida, como sugere seu criador na mesma entrevista:

“Comida é a outra parte do conceito básico. No meu design inicial, coloquei o aparelho no meio de alimentos por toda a tela. Ao pensar nisso, percebi que o jogador não saberia exatamente o que fazer; o objetivo do jogo seria obscuro. Então eu criei um labirinto e coloquei a comida nele. Então, quem jogasse o jogo teria alguma estrutura se movendo pelo labirinto.”

Pac-Man tornou-se não apenas um game de sucesso, mas um marco cultural na história dos games, chegando a ser capa da revista Time, em outubro de 1982, como figura de linguagem acerca do sistema de financiamento político norte-americano e suas relações com Wall Street.

Um pouco antes, em abril daquele mesmo ano, uma reportagem da revista explanava a dimensão alcançada pelo game:

“Pac-Man está explodindo por toda parte. Não apenas o jogo de arcade de 15 meses de idade engoliu cerca de US $ 1 bilhão em moedas de 25 centavos, tornando-se o item mais quente no mercado de videogames, mas a pequena criatura amarela agora está invadindo casas e gerando quase 200 ramificações que variam de jeans a uma música pop de sucesso, Pac-Man Fever.”

O sucesso de Pac-Man logo se transformou em uma lucrativa indústria de merchadising, indo dos cereais aos chaveirinhos e chegando aos desenhos animados em setembro de 1982, por meio do estúdio Hanna-Barbera, para uma temporada de 3 anos nas manhãs do canal ABC.

A recepção positiva obtida pela animação de tv levou a um novo game, Pac Land, com uma estrutura totalmente diferente do labirinto clássico das versões anteriores.

O arcade, que apresentava o personagem viajando por vilas e florestas para resgatar a Princesa Buttercup das mãos do terrível Mezmaron e de seus cinco fantasmas, era a sequência preferida do desenvolvedor.

“‘Pac-Land’ é pioneiro em jogos de ação com experiência horizontal. O senhor Shigeru Miyamoto, que desenvolveu ‘Super Mario Bros.’ me disse que o jogo foi influenciado pelo ‘PAC-LAND’ da Namco, comentou, em entrevista concedida ao site Geek Culture, em 2015.

Tão grande foi o impacto social (e comercial) gerado pela criação da herói amarelo comedor de pontinho que, também em 1982, Jerry Buchner & Gary Garcia chegaram ao topo da parada musical nos EUA com o hit “Pac-Man Fever”.

O álbum homônimo da dupla conta também com outros clássicos musicados a partir dos jogos digitais da época, como “Froggy´s Lament” e “Do the Donkey Kong”.

O site oficial da banda continua ativo e, na data de celebração de 40 anos do game, Jerry Buckner fez uma live com os artistas originais da banda (Gary Garcia faleceu em 2011). O vídeo pode ser assistido abaixo.

Em 2010, a Namco traria ao público Pac-Man Championship Edition DX, possivelmente o melhor jogo da série desde Mrs. Pac-Man, de 1982. A sequência de Namco Bandai mantém as premissas básicas do jogo original – comer pontinhos e desviar de fantasmas – enquanto adiciona uma série de novos recursos projetados para aumentar a intensidade. O jogo apresenta um labirinto duas vezes maior que Pacman de 1980, bombas, efeitos de câmera lenta e jogabilidade que acelera à medida que você acumula pontos.

Também em 2010, vale registrar, o game saiu na forma de um doodle, aquelas animações interativas no buscador Google, e arregimentou algo em torno de 1 bilhão de jogadores ao redor do mundo, que curtiram a brincadeira online em homenagem aos 30 anos do arcade.

Com a celebração de seus 40 anos, Pac-Man ganhou um upgrade de respeito, com uma homenagem da Nvidia, que treinou o sistema de inteligência artificial GameGAN para, ao longo de quatro dias, conseguir recriar o jogo com base na capacidade autônoma de aprendizado.

O resultado da ação pode ser visto em um breve vídeo no canal de YouTube da empresa,e também disponível no fim da reportagem.

Iwatani, aparentemente, segua sua rotina de desenvolvedor e celebridade gamer. Em 2007 ele participou da produção de Pac-Man Championship Edition DX. Em 2015, o público acompanhou sua breve performance cinematográfica no filme Pixels, de Adam Sandler.

Assista, abaixo, o clip do hit Pac-man Fever, com Buckner & Garcia.

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