Imprecisões precisas. Sobre o BIG Festival 2019. Por Renato Degiovani

“Não tem como não ficar feliz com tudo que está acontecendo”.

Postado pelo autor, pioneiro da cena brasileira de jogos, em seu perfil no Facebook:

Imprecisões precisas

É sempre bom retornar ao conforto do tecladão, depois de um tempo mergulhado em encontros e desencontros com o pessoal dos games. Com dois compromissos marcados, BIG e Loading, essa última ida a São Paulo me fez refletir sobre três coisas interessantes.

1- Circular entre amigos é tudo de bom, mas num determinado momento me perguntei: cadê todo mundo? Cadê a geração anos 2008/2018, que até ontem lotava os espaços do BIG?

É gostoso abraçar o pessoal e trocar uns bits de prosa. Só pra constar os que lembro agora Martinello (que barato trocar dicas com um dev iniciante de 17 anos, né mesmo?), Caio (talvez o implante cerebral seja melhor que o holodeck, como entretenimento do futuro), Christian (se for pra comparar fotos vou pegar umas da década de 90), Raul (abri o presente – amigo dev é outro nível), Venturelli (parabéns mais uma vez pelo grande sucesso do jogo), Rudá e Lello (nenhum evento é completo se não cruzar com esses dois), Zambon (daqui dois anos, heim?) e Zambarda (não deu tempo pra tratar do principal).

Senti falta dos amigos Kao (eu sei como é complicado), Bruno (vou ter que ir a Curitiba pra gente combinar umas maluquices esse ano?), Ale (não deu pra ficar até a premiação para dar aquele abração no amigo), Rodrigo (cadê você?).

2- Neste ano eu queria muito ter apresentado a maluquice do Capão do Meio no BIG, como um workshop diferentão mas por questões de espaço não foi possível. Em contrapartida “mestrei” uma mesa redonda sobre “emoções que guiam a narrativa”. Acho que sai no lucro porque conheci três fantásticos devs: Túlio César, João Bueno e Mariana Souto. Já os considero amigos e seus jogos ficarão na memória: No Place for Bravery, Lenin – The Lion e Florescer. Procurem por esses jogos porque eles te farão olhar de forma diferente para a produção BR.

3- E por fim a gravação do importantíssimo documentário Loading, nossos primeiros jogos de computador. Estou nessa sofrência (como dizem os devs) desde os primeiros anos década de 80 e já perdi a conta de quantas vezes batalhei para que esse primeiro momento dos jogos e dos devs ficasse registrado. Principalmente para quem está chegando agora saber que a gente tinha as mesmas dúvidas, alegrias e dificuldades que vocês tem hoje. Que venham os docs dos ano 90, dos 2000 e da década de 2010.

Entrevistado por dois grandes entusiastas, o Marcus Garrett e o Carlos Bighetti, falei de muita coisa daqueles tempos e me dei conta de que não fiz tantos jogos quanto gostaria de ter feito. Isso precisa ser corrigido rapidamente, afinal tempus fugit.

Durante as conversas o Carlos fez uma observação interessante: a maioria dos entrevistados se referiu àqueles tempos com um grande saudosismo e perguntou se eu sentia o mesmo. Só então me dei conta que devo ser o dev mais sortudo do BR porque esse sentimento legal de convivência e troca de ideias eu vivo todos os anos, o tempo todo e não apenas nos eventos.

O BIG deste ano me mostrou que embora ainda atuante, parte da geração 2008/2018 já está deixando a cena e uma geração mais nova, vibrante e mais preocupada com a nossa própria cultura está dando as caras.

Não tem como não ficar feliz com tudo que está acontecendo.

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