Opinião: As condições de trabalho dos desenvolvedores de jogos foram um assunto (envergonhado) da E3 2019 – Por Pedro Zambarda

Críticas para a grande indústria foram ouvidas nas palestras.

A E3 2019 está se consagrando como um grande evento. Aberto para o público e imprensa desde o dia 11 de junho, tivemos as conferências dias antes. Cyberpunk 2077, Final Fantasy VII Remake e a continuação de Zelda Breath of the Wild chamaram atenção na maior feira de games do mundo, além do Project Scarlett, futuro console da Microsoft.

No entanto, mais do que lançamentos e a celebração dos games, críticas para a grande indústria estiveram presentes nas palestras.

No EA Play, uma entrevista envergonhada sobre o game Anthem disse resumidamente: “sabemos que o público não gostou muito do jogo, mas estamos fazendo o possível para melhorar”. O jogo foi tema de uma reportagem do Kotaku em abril do jornalista Jason Schreier sobre problemas em seu desenvolvimento.

Schreier também é autor de um artigo no New York Times defendendo a sindicalização dos trabalhadores do setor de jogos.

Na apresentação da Bethesda, os telões exibiram vídeos sobre o valor do trabalho dos desenvolvedores. Fallout 76, um fracasso de público, também teve um battle royale de expansão anunciado não sem antes um mea culpa da empresa.

Todas as manifestações aparecem num contexto. Explodiu denúncias de “crunch”, assédio abusivo no trabalho, com devs de noites viradas, que resultaram na primeira greve da indústria dos games em 2019: 150 trabalhadores da Riot se manifestaram contra irregularidades.

Atenta aos sinais, a E3 mostrou um lado menos festivo e mais consciente de que o ritmo de lançamentos da indústria podem provocar uma nova crise em seus modelos de negócios. Na década de 80, o crash da Atari quebrou muitas empresas que não produziam com qualidade.

Em meados dos anos 2000, os independentes surgiram como uma alternativa aos lançamentos tradicionais justamente por não obedecer às regras dominantes da indústria. E, só com esse contexto de crise entre os criadores, que se dá o correto sentido ao anúncio de Baldur’s Gate III na PC Gaming Show.

Perguntados pelo entrevistador sobre a data de lançamento, os produtores responderam na lata:

“Não queremos dar uma data. Nós vamos jogar esse game com vocês. Acredito que saia em breve, mas quando estiver pronto, vocês vão saber”.

É isso.

Pedro Zambarda é editor-chefe do Drops de Jogos.

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