Opinião: BIG Festival 2019 foi, ainda bem, além dos gamers convencionais

Este texto está publicado no PopGeeks enquanto o Drops de Jogos passa por manutenção.

Por Pedro Zambarda, editor-chefe do Drops de Jogos.

O bom repórter Wagner Wakka no CanalTech publicou um texto em 1º de julho com o título: “Aos 73 anos, dona Tereza cria seu primeiro jogo para a netinha”. Nele, o jornalista contava a história da desenvolvedora Tereza Brocado, que tem uma história fora do comum na cena brasileira de games e chamou atenção no BIG Festival, maior evento indie do setor, no final de junho. Destaco o trecho da reportagem:

“Quatro anos atrás, dona Tereza encarou o desafio de desenvolver seu próprio jogo, uma missão que pouca gente no alto de suas habilidades cognitivas aceitaria. Ela foi uma das participantes do painel de inclusão de pessoas com mais de 60 anos no universo dos games, encontro apresentado no Brazil’s Independent Games Festival (BIG) no último sábado (28). Antes de tudo, é preciso colocar a história dela em perspectiva. Quando dona Tereza nasceu, computadores nem eram populares. Os físicos Thomas T. Goldsmith Jr. e Estle Ray Mann só viriam a criar o primeiro protótipo do que se pode chamar de protogame em 1947, com raios catódicos. Nessa época, ela tinha apenas cinco anos e morava no Brasil”.

A história de dona Tereza chamou atenção na mesma semana que a marca de periféricos Razer demitiu uma de suas influenciadoras por comportamento inadquado ainda que eles “defendam a diversidade”. A mulher, no caso, havia escrito que achava que os homens “são um lixo”, criticando o machismo no setor.

Graças à empresa, ondas e ondas de homens machistas atacaram a influenciadora e todos os órgãos de imprensa que noticiaram o acontecimento e inclusive aqueles que analisaram o caso de maneira mais crítica à Razer.

Explicada a história da Razer, é necessário voltar ao caso de dona Tereza.

Felizmente, para além das polêmicas de internet, eventos como o BIG Festival, mesmo com corte de financiamento público, estão dando espaço para mulheres se manifestarem e, melhor ainda, para que idosos se coloquem nesse cenário impregnado de preconceitos dos mais variados e de machismo, para ser mais específico.

Para além do papel de divulgação dos games brasileiros, um patrimônio nacional que cresce em ritmo acelerado desde 2019, o BIG também contribui para a visibilidade de uma comunidade que precisa ser mais diversa para continuar crescendo e cativando públicos.

Porque, se os games ficarem restritos aos gamers convencionais, o que sobra é apenas preconceito e retrocesso.

O BIG Festival 2019 foi, ainda bem, além dos gamers convencionais. Por isso é importante incentivar este tipo de evento.

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