Pluralidade no mundo da arte e da cultura não reflete o status da crítica especializada, diz jornal

Reportagem de Leonardo Neiva na Folha de S.Paulo informa que poucos jovens de grupos sub-representados sentem que podem escrever sobre arte na imprensa, explica a jornalista e crítica musical Elizabeth Méndez, de origem colombiana. Ela é fundadora do Critical Minded, instituição americana que investe em pessoas não brancas que buscam atuar na área. De acordo com Méndez, a inclusão ainda é difícil porque a maior parte dos veículos tradicionais está fechada à pluralidade. Outro problema é a baixa remuneração. “Se você vem de uma família com dificuldades financeiras, a chance de optar por uma carreira como crítico é pequena”, afirma.

De acordo com a publicação, em 2018, uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia analisou 20 mil críticas de cinema. Quase dois terços foram escritos por homens brancos. Mulheres representaram 22%, enquanto pessoas de etnias não brancas (homens e mulheres), só 18%. Pensando em aumentar a pluralidade em seu site, o Rotten Tomatoes, agregador de críticas de filmes e séries, lançou um projeto para dar mais diversidade à sua lista de críticos. De 2018 para 2019, adicionou 600 novos perfis ao seu rol —sendo 55% mulheres. “Queremos que os críticos sejam um reflexo do nosso público global da forma mais próxima possível”, explica a gerente sênior do site, Jenny Jediny.

No caso brasileiro, a falta de diversidade reflete a estrutura social do país e das próprias redações, segundo a jornalista Lulie Macedo, ex-editora e colaboradora da Folha. Apesar disso, para ela, hoje há um movimento pela inclusão de temas antes considerados pouco interessantes. “Há dez ou 15 anos, emplacar uma pauta sobre hip-hop era difícil porque se acreditava que o leitor não ouvia esse tipo de coisa. O pensamento dos jornalistas acaba ficando distorcido porque estamos muito presos em nossa bolhas”. Na Associação Paulista de Críticos de Artes, a APCA, apenas 21 dos 71 membros são mulheres. Um é negro. Apesar de contar com mais mulheres do que homens —elas são 69 de um total de 111 associados— , a Associação Brasileira de Críticos de Artes (ABCA), de artes visuais, também integra poucos negros, como revela uma análise de seu catálogo de associados, completa a Folha.

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