Power Rangers consolidou representatividade e respeito nas telesséries – Por Tiago Delfini

Ainda há tempo para este reconhecimento.

Power Rangers sempre foi uma das franquias mais tradicionais de heróis na televisão mundial. Prestes a iniciar a vigésima sexta temporada, os Rangers acompanharam várias mudanças na sociedade e foram, de certa forma, pioneiras em várias delas, mesmo sem grande visibilidade para tais fatos.

Desde 1993, com a estreia de Mighty Morphin Power Rangers, a série mostrou-se um exemplo de representatividade. Com a presença de personagens negros, mulheres, orientais e latinos, a equipe de super-heróis trazia uma identidade para a franquia.

No início dos anos 90, ainda existiam vários problemas sociais, que certamente permanecem ainda existem hoje. Se olharmos pelo prisma atual, ter uma Ranger Amarela Asiática e um Ranger Preto Negro pode ser considerado também como racista e xenofóbico mas, observando-se o panorama da época, uma equipe principal composta por tantas identidades diferia das séries convencionais, dividas em “para homens/para mulheres” ou “para brancos/para negros”. Power Rangers ousou trazer uma mistura digna de ser reconhecida.

E isso criou uma tradição.

De forma segura e sem exageros, a série trouxe uma representatividade variada nesses vinte e seis anos de exibição, trazendo líderes negros, latinos e mulheres. Este caráter universalista tornou-se, para os produtores, uma preocupação e um padrão a ser mantido.

Não podemos negar que Power Rangers não ousa de verdade, mas traz para os telespectadores uma naturalidade em que qualquer um pode ser um ranger e o que importa é ser um “jovem com atitude”.

Em 2017 tivemos o filme que resgatou a clássica temporada e a mais famosa para nós brasileiros: Mighty Morphin Power Rangers.

Nessa película, os Rangers inovaram mais uma vez, trazendo o primeiro super-herói Autista – ainda que com pequenos equívocos de construção do personagem – e a primeira super-heroína abertamente LGBTQ+ para os cinemas. Ambos foram introduzidos sem precisar de muitas explicações, com dois breves momentos nas quase duas horas de filme para informar quem eles eram, continuando a trama de modo natural e fluído.

Reforçando as características já identificadas, o filme manteve, propositalmente, um representante de cada etnia: uma latina, uma indiana, um africano, um oriental e um americano.

Há pontos a serem melhorados? Certamente. Mas Power Rangers pode levar o crédito pela capacidade de, naturalmente, inserir no contexto da vida personagens fortes e diversos, não menos poderosos por serem mulheres, não menos hábeis em combate por serem autistas e não menos capazes de liderar por serem negros.

Power Rangers inquestionavelmente merece ter seu nome projetado nos quesitos “representatividade” e “inclusão” por conta de seu significativo histórico. Ainda há tempo para este devido reconhecimento.

Tiago Delfini, 29 anos, é pós graduado em Cinema e Linguagem Audiovisual, Autor e Roteirista. Viciado em animes, HQs, jogos de cartas e videogame. Costuma ler livros e mangás, assistir séries e fazer coisas nerds quando tem um tempo..

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