Quality Assurance: o trabalho de um testador de games fora do Brasil – Por Pedro Nicoletti

Quality Assurance: o que é isso, afinal?

Olá, sou o Pedro e trabalho como QA em jogos (com o quê?!?). Cheguei nesse mundo por acidente e conto um pouco a respeito nesse relato.

Como dizia o Professor Girafales, o burro vem sempre na frente, então vou fazer uma breve introdução a meu respeito e depois vamos para o QA. Como disse acima, me chamo Pedro, tenho 30 anos, sou formado em Direito, atualmente moro na Romênia, trabalho como “Q.A. Tester with Portuguese” e antigamente tinha um bico como advogado.

Esse é o primeiro texto que eu tenho que “criar” na vida então, por gentileza, me deem um desconto(!), vou tentar manter o texto como uma conversa.

Eu trabalho em uma empresa chamada Quantic Lab, ela é especializada em QA em jogos de todas as plataformas e também executa serviços de localização e LQA. Mas o que isso significa? Como é isso? Trabalhar com jogos? Jogar o dia inteiro? Deve ser muito legal! É… Às vezes sim, às vezes não.

Quando as pessoas pensam em alguém que trabalha com jogos, imaginam que a pessoa fica o dia inteiro em frente da TV sentada no sofá ou no puff com snacks, doces e refrigerante à disposição, que é só sentar jogar e se divertir.

Eu mesmo já tive dias que foram quase assim (tirando os snacks, doces e refrigerantes), mas foram dias em que eu tive que jogar apenas para me familiarizar com o jogo que seria testado na semana seguinte ou para entender melhor o contexto do que eu estava traduzindo.

Mas no geral, meu trabalho consiste em receber o projeto (jogo), instalar e procurar erros, falhas, coisas fora do lugar, jogar a mesma fase 10 vezes pulando em locais diferentes, jogar de uma forma inesperada, ao invés de ir pelo caminho normal, tentar “climbar”, achar exploits. É um trabalho cansativo… sim, jogar videogame cansa!

Meu primeiro projeto na empresa foi com um jogo de simulação. Era meu primeiro dia e o jogo simula a vida de um fazendeiro, com ferramentas, tratores, animais, plantações e tudo mais. Minha primeira tarefa foi: abrir o jogo, criar uma partida single player, usar o menu Debug para comprar todas as propriedades disponíveis no mapa X e cortar todas as árvores do mapa… sim.. cortar árvores. TODAS e eram VÁRIAS!

Fiquei uma semana fazendo isso… mas pra quê? Qual o motivo disso? É bem “simples”: o mapa tinha um script que gerava as árvores, mas ele gerava em uma coordenada XYZ e se essa árvore estiver voando ou dentro de uma pedra, isso precisa ser corrigido. E lá estava eu, tirando screenshot de árvore com a coordenada.

Essas fotos e coordenadas deveriam ser enviadas para o cliente, que pode ser a própria desenvolvedora ou a Publisher do jogo X, que, por sua vez, deve corrigir o erro, criar uma nova versão do jogo e enviar novamente, assim a gente consegue verificar se o erro foi realmente corrigido (sim, eu tive que cortar as árvores novamente).

A vida de QA é ingrata, acreditem, Às vezes a desenvolvedora não quer corrigir o erro, às vezes não tem como corrigir e às vezes, a correção dá mais trabalho do que o próprio jogo e a feature é removida completamente.

A maioria dos QAs realizados aqui na empresa são manuais, ou seja, não tem script, a gente abre o jogo e vai lá resolvendo as questões.

Já participei de vários tipos de testes, como LQA, IN GAME LQA, TERMINOLOGY. Estes tipos de process de “debug” serão apresentados em mais detalhes em um próximo artigo.

Até lá.

Pedro Nicoletti trabalha na empresa Quantic Lab e tem passagens pela Sykes Enterprises Romania e Nelson Wilians Advogados Associados. Estudou Desenvolvimento de Jogos na Fatec Carapicuíba, em São Paulo.

5 Comentários
  • Paulo Koto
    Postado por 13:18h, 05 setembro Responder

    Jogar é legal. Ser obrigado a jogar, descobrir tudo, testar tudo que Opção e ter que ficar fazendo relatório não parece ser taaaao divertido assim.

    • Kao Tokio
      Postado por 15:18h, 05 setembro Responder

      Tem razão, caro Paulo.
      Mas é um trabalho digno e necessário para a diversão de todos.
      Agradecemos sua participação!

  • Italo Santin Petini
    Postado por 18:12h, 05 setembro Responder

    Deve ser cansativo passar pela mesma fase 10x, mas é um trabalho necessário para alcançar a excelência nos jogos e quem sabe até consequentemente o jogo ganhe alguma premiação.

    Mas tenho certeza q vc tb tem mts jogos legais (e lançamentos) a sua disposição, então vai q vai!

    Abraço

  • Magno Gouveia
    Postado por 11:28h, 06 setembro Responder

    Muito bom o post, é muito interessante ver outros pontos de vista da indústria.

    Realmente um jogo precisa de MUITOS testes e feedbacks pra evoluir.

    Seria legal contar mais experiências e/ou detalhar o processo de testes

  • Jose Lima
    Postado por 00:53h, 07 setembro Responder

    Excelente texto! Difícil caçar pelo em ovo e buscar os bugs em locais inesperados. Uma tarefa imprescindível para que o consumidor final tenha a melhor experiência possível!

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