#SomosTodosAroeira: Perseguição a cartunista mostra um governo despreparado para críticas com humor

Esta semana, o Brasil acompanhou um pedido protocolado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, solicitando investigação da Procuradoria-Geral da República contra o ilustrador e chargista Aroeira associando-o ao terrorismo.

O crime supostamente cometido pelo artista é o de associar as práticas da atual presidência da República a um discurso e uma prática nazistas.

Com base na Lei de Segurança Nacional, e com aval do presidente Jair Bolsonaro, a PGR solicita a abertura de um inquérito para analisar a charge do cartunista.

Vale salientar que, como indivíduo, Jair Bolsonaro tem direito de se sentir ofendido por qualquer sátira ou charge contra a sua pessoa, a exemplo de qualquer cidadão brasileiro. Ao fazer uso da máquina do Estado, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Procuradoria-Geral da República, e requisitando a lei como a Lei de Segurança Nacional como base para o pedido, o presidente potencializa a interpretação de uma ação governamental contra a imprensa e contra a liberdade de expressão.

Historicamente, líderes políticos, da direita à esquerda, sempre foram alvo de críticas e de charges que, por meio do humor, satirizam decisões equivocadas ou posturas que afrontam as relações institucionais ou o bem estar da população. Não faltam exemplos de cartuns, charges e expressões artísticas que confrontam políticos e seus poderes, como apresentado abaixo em uma breve seleção de imagens.

Ocorre que, desde o início deste governo – quiçá ainda antes – instituições e grupos sociais têm sido vítimas de perseguição, censura e desmonte de programas que, de alguma forma, mostram-se alvos da intolerância dos representantes da esfera governamental. A associação entre o nazismo e posturas de pessoas ligadas ao presidente – quando não o próprio – também tem sido frequente e já levou a baixas ministeriais.

Como forma de contrapor esta movimentação persecutória da máquina do governo, artistas brasileiros começam a se mobilizar recriando a charge de Aroeira com a divulgação de suas manifestações por meio da hashtag #SomosTodosAroeira, em defesa do artista e seu trabalho.

Vale lembrar, a perseguição contra minorias e a censura são também atitudes comumente associadas aos regimes totalitários, dos quais o nazismo é um grande expoente.

D. Pedro II derrubado do Trono – Charge de Angelo Agostini – 1882

 

José Bonifácio perdendo as estribeiras – Charge de Angelo Agostini

 

Marechal Deodoro pressionado a anistiar uma revolta da Marinha

 

Getúlio Vargas – Charge de Belmonte

 

Emílio Médici – Charge de Paulo Caruso

 

João Figueiredo – Charge de Paulo Caruso

 

Governo Figueiredo – Charge de Henfil

 

João João Figueiredo – Charge de Gepp e Maia

 

Fernando Collor – Charge de Lor

 

Itamar Franco – Charge de Edgar Vasquez

 

Fernando Henrique Cardoso – Charge de Chico Caruso

 

Dilma e Lula – Charge de Kal no jornal The Economist

 

Jair Bolsonaro – Charge de Aroeira

 

Jair Bolsonaro – Charge de Latuff

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